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Tradição e regionalismo: a arte dos bordados do Seridó ganha selo do INPI

G1 - Globo | BR Marco regulatório | INPI - 14/09/2020
1 de 2 Iracema Nogueira usa amesma máquina
de bordados há 40 anos -nter TV Costa Branca
Iracema Nogueira usa amesmamáquinadebordados
há 40 anos -nter TV Costa Branca
Na máquina de pedal, dona Iracema Nogueira borda
peças que são uma "belezura".Ela é deCaicó, no Seridó potiguar, região conhecida pelos bordados que
são verdadeiras obras de arte. O aprendizado veio da
observação. Curiosa, aprendeu cada ponto olhando
outras bordadeirastrabalharem.Comprou a primeira
máquina com o primeiro salário que conquistou como professora há quase 40 anos, e é a mesma que usa
até hoje.
"Foi uma coisa que eu aprendi a fazer e eu faço com
amor, com arte. Eu crio omeu próprio designer, risco
e bordo", disse.
Maria Dileusa é filha da bordadeira mais antiga de
Timbaúba dos Batistas, cidade com quase 2.300 habitantes. O bordado entrou muito cedo na vida dela.
Aos 15 anosjá vivia da arte e ganhava seu próprio dinheiro. Como passar do tempo, ela aperfeiçoou a técnica e os traços criados por ela mesma. Hoje aos 65
anos ela ainda continua bordando.
Em Timbaúba dos Batistas, são mais de 800 bordadeiras. Algumas ainda seguem a tradição e fazemo
trabalho à moda antiga com a máquina de pedal. "Eu
nunca cansei de ensinar o que eu tenho: a perfeição.
Porque tudo do artesanato precisa da perfeição, é o
que faz o nosso bordado deCaicó de origem. É a perfeição, a qualidade, a matéria-prima, o lavar, o engomar, tudo isso faz o diferencial", destacou dona
Dileusa.
O prêmio por todo esse cuidado e delicadeza com as
mãos veio em forma de certificado de garantia. Um
selo de indicação geográfica, na categoria procedência, foi aprovado em junho deste ano pelo
Instituto Nacional dePropriedade Industrial(INPI).
E o que isso significa? Agora, os bordados produzidos pelas artesãs do Seridó têm atestado de qualidade.
2 de 2 Maria Dileusa é de Timbaúba dos Batistas; bordadeiras de outras 11 cidades também serão beneficiadas com o selo -nter TV Costa Branca
Maria Dileusa é de Timbaúba dos Batistas; bordadeiras de outras 11 cidades também serão beneficiadas com o selo -nter TV Costa Branca
O selo leva o nome de "Bordados de Caicó", município que é referência na região Seridó, mas bordadeiras de outras 11 cidades também serão
beneficiadas com o selo.
"O nosso bordado de Caicó passa a ser reconhecido
nacionalmente como um produto de qualidade e isso
assegura a sua tradição, o modo de fazer e dá mais
competitividade ao produto", destacou Yves Guerra,
analista técnico do Sebrae.
O Sebrae também criou a "Rota doBordado" pela região do Seridó, onde se fabrica peçasfeitas com o capricho que só o seridoense tem, uma forma de dar
visibilidade a essa arte que muitas vezes passa de geração em geração e é fonte de renda para muitas
famílias.
E para provar que as bordadeiras têm talento suficiente pra se reinventar, a pandemia do novo coronavírus trouxe uma inspiração. Gercineide
Silveira resolveu dar aquele "toque seridoense" nas
máscaras, essenciais na prevenção contra a Covid-19. O trabalho é feito entre mãe e filha. Dona Terezinha Silveira, mesmo aos 79 anos, não para. Ela
seleciona o tecido, faz o corte e o bordado fica por
conta de Gercineide. Por dia elas produzem cerca de 20 máscaras. "Eu bordei primeiro a de mamãe, gostei, postei e comecei a fazer. O pessoal está gostando
muito, então eu comecei a bordar essas máscaras",
disse.
Para adquirir o selo, as bordadeiras precisam fazer
parte de alguma associação ou cooperativa vinculada
ao Comitê Regional das Associações e Cooperativas
Artesanais (Cracas). Agora quem comprar algum
bordado na região do Seridó já sabe que tá adquirindo
um produto certificado e de qualidade.

Fonte: abpi.empauta.com Brasília, 13 de setembro de 2020 G1 - Globo | BR Marco regulatório | INPI
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