News

Biotecnologia industrial pode somar US$ 53 bi à economia brasileira

Correiobraziliense.com.br | BR Patentes/(crédito: Sarah Paes/Esp.CB)/*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro - 13/11/2020
Desafios da bioeconomia
(crédito: Sarah Paes/Esp.CB)
A Associação Brasileira deBioinovação (ABBI) estima que nos próximos 20 anos a biotecnologia industrial pode somar cerca de US$ 53 bilhões à
economia brasileira, se durante as duas décadas forem investidos US$ 132 bilhões anuais. O
investimento traria cerca de 217 mil novos postos de
trabalhos ao fim do período; e se a biotecnologia alcançar o rendimento de US$ 53 bilhões, a arrecadação de impostos seria de US$ 9,5 bilhões
anuais.
Contudo, para alcançar esses resultados, o Brasil deve inserir a bioeconomia como estratégia de crescimento. É o que afirma o presidente da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson
Braga de Andrade. "Precisamos aproveitar esse momento para construir as bases para avançar, já que o
Brasil é o país com maior potencial nessa agenda". O
presidente da CNI aponta que a bioeconomia seria
uma alternativa para o desenvolvimento sustentável
daAmazônia. "A floresta em pé passa a gerar maisriquezas e, com isso, aumenta o seu valor frente às outras alternativas".
É o que pensa, também, Ana Carolina, diretora de
Propriedade Intelectual e Compliance da
Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa
(Interfarma). "O setorpassa por uma transformação
de redução de uso de compostos químicos e aumento
na inserção de materiais biológicos nos medicamentos, o que pode trazer uma vantagem para o
Brasil, que tem a maior biodiversidade do mundo",
diz ela.
Um exemplo disso é o Grupo Centroflora, de São
Paulo, que produz óleos essenciais e ativos isolados
para a indústria farmacêutica. A empresa reuniu uma
biblioteca inédita de produtos naturais com extratos
da flora de quatro biomas brasileiros: Caatinga, Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica. O objetivo é coletar essas plantas e encontrar as substâncias "mais
preciosas e reunir esse acervo no que pretende ser
uma das maiores bibliotecas de produtos naturais do
mundo", explica Cristina Ropke, diretora de Inovação da empresa.
Mas o avanço da bioeconomia depende do aperfeiçoamentodo sistema de inovaçãodoBrasil. O professor Roberto Berlinck, do Instituto de Química de
São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que é necessária a liberação dos recursos para
não interromper as pesquisas. Ele explica que o investimento em pesquisas volta em forma de
resultados para o país.
Atualmente, Berlinck se dedica a pesquisar substâncias anti-cancerígenas da própolis vermelha, extraída de colmeias em Alagoas, que são mais raras
que as própolis verde, amarela emarrom. "Tínhamos
um conhecimento tradicional que relacionava o uso
da própolis vermelha com a inibição de células cancerígenas. E isso se comprovou nas pesquisas, quando descobrimos substâncias isoladas da classe dos
polifenóis (antioxidantes vegetais)", revela.
Para obter o resultado e chamar atenção para a bioeconomia, o Instituto Senai (Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial) de Inovação em Biossintéticos, em conjunto com a Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Associação Brasileira
de Desenvolvimento Industrial (ABDI), estão com
projeto de emenda parlamentar para desenvolver um
estudo econométrico para ajudar o país a alavancar a
bioeconomia. "A proposta é dividir esse estudo por
partes, começando pelas grandes cadeias brasileiras,
como cana-de-açúcar e celulose, com dados detalhados para avaliar aviabilidade econômica deprodutos a partir dessas cadeias", explica Paulo
Coutinho, diretor do Instituto Senai de Inovação em
Biossintéticos.
Desafios da bioeconomia
Davi Bomtempo, gerente-executivo de meio ambiente e sustentabilidade da CNI, explica o conceito
de bioeconomia, que traz consigo várias definições
de acordo com o país e região. Bomtempo pontua,
contudo, que aCNI trabalha omodelo pormeio de algumas palavras-chaves: "geração de renda e de riqueza, recursos biológicos e de emprego de
tecnologia e inovação alinhada com a sustentabilidade. Ou seja, a bioeconomia é a geração de
renda e riqueza a partir dosrecursos biológicos com a
implementação da tecnologia e inovação".
O especialista ressalta que o Brasil tem uma grande
vantagem em comparação com outros países, pois o
país possui 20% de toda a biodiversidade do planeta,
sendo que 15% se encontram na Amazônia. "Além
disso, temos a produção de biomassa em níveis baixos. Temos uma grande quantidade de mão de obra,
uma vasta área cultivada e experiências bem sucedidas em relação aobiocombustível, no caso,o etanol. A grande questão é transformar essas vantagens
que o Brasil tem em uma vantagem competitiva"
Bomtempo esclarece, porém, que a agenda da bioeconomianãoédefácilimplementação.Paraele, épreciso um trabalho árduo na difusão dos conceitos que
envolvem esse modelo e a explicação de qual será o
retorno para o Brasil.
Eressalta alguns pontos que são essenciais para o desenvolvimento dabioeconomia. "Épreciso deumgoverno mais articulado com o tema da bioeconomia,
temos vários blocos na Esplanada, mas ainda fragmentados, e é necessário uma coordenação dessa
agenda muito mais intensa. Também é necessário
uma maior integração do desenvolvimento de tecnologia e inovação com as indústrias, ou seja, aproximar academia e setor produtivo. Por fim, é preciso
financiamento e incentivo econômico para essa
agenda", finaliza.
*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

Fonte: abpi.empauta.com Brasília, 09 de novembro de 2020 Correiobraziliense.com.br | BR Patentes
Telefone: +55 (19) 3294-0380 / Fax: +55 (19) 3295-6527
Av. Cláudio Celestino T. Soares, 470 • CEP 13100-015 • Campinas / São Paulo • Brasil
> Mapa de Localização